Os 7 Mandamentos

01. Não pense pequeno, que isso é próprio dos medíocres e dos covardes.

02. Trabalhe em equipe: a capacidade de germinação se amplia.

03. Convoque os mais honestos e competentes, deixando de lado os invejosos e os carreiristas de poder (lembre-se que ele é sempre provisório). Desconfie dos bajuladores e dos muito falantes, que nem sempre são os mais operosos. São surfistas do poder, que sobrevivem de futricas e agem sempre à sombra. Abra espaço para gente nova. Oxigenar as idéias é sempre estimulante.

04. Não tenha medo da concorrência. Se você encontrar alguém mais competente do que você, aprenda com ele. Você vai crescer mais. Também não tenha medo de copiar uma boa idéia. Mas não se esqueça de dar o crédito a quem a gerou. Lembre-se: ninguém é absolutamente genial para criar todos os dias uma coisa nova. Não se esqueça também de que seus delírios são pagos pelo contribuinte. Mas sonhe sempre, cultive utopias.

05. Não respeite quem sonega informação, engavetando-a ou guardando-a só para si. Desconfie daquele que não ensina jamais o chamado “pulo do gato”. Quem assim procede está praticando um crime de lesa-cultura. Acredite: o meretrício e o genocídio cultural existem sim e em doses industriais e deliberadamente alienantes. Se você desconfiar de algum mal-feito, bote a boca no trombone para não ser conivente. Ninguém é tão poderoso assim que não consiga se desestabilizar diante de uma denúncia bem fundamentada.

06. Vá pelo caminho alternativo. Faça com que seu projeto tenha efeito multiplicador, e que seus eventos gerem resíduos (é assim que se faz memória: através do registro do fato). Procure parcerias. Não acredite naqueles que pregam que o povo não gosta de coisa boa e que toda juventude é alienada. Desconfie muito de quem despreza os mais velhos. Aprenda com os índios que veneram seus pajés e com eles se aconselham. Mário de Andrade era um pajé.

07. Acredite: cultura é matéria de segurança nacional, nossa música é um bem ecológico. Pense grande. Pense bonito. Pense brasileiro.

HERMÍNIO BELLO DE CARVALHO

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Descobri o texto acima nos guardados do poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho. O documento não possui data, tampouco o autor soube me precisar quando o escreveu. Mas podemos dizer, quase com completa certeza, que é do período (1977-1989) em que Hermínio foi diretor da Divisão de Música Popular Brasileira da Funarte, onde, entre tantas ações memoráveis, criou o Projeto Pixinguinha. O texto original se dirigia aos seus colaboradores naquela instituição. Acredito que todos os mandamentos permanecem atualíssimos e devem ser compartilhados por quem trabalha direta ou indiretamente com a cultura.

ALEXANDRE PAVAN

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