O fim da Kuarup

Uma nota publicada na página inicial do site da gravadora e produtora Kuarup informa que, na virada de 2008/2009, após 31 anos de atividade, a empresa fechou as portas. “Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa, nem de longe compensada pelas vendas por download. Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade”, diz o texto.

A Kuarup possuía um importante catálogo de música brasileira, apostando na diversidade e investindo nos diferentes gêneros e ritmos regionais – choro, samba, caipira tradicional, música nordestina, instrumental. Alguns artistas tinham sua discografia intensamente ligada ao selo, como é o caso de Elomar.

O fim da Kuarup é emblemático porque, embora a gravadora tenha sido criada na onda dos independentes do final década de 1970, apostando em artistas que as companhias multinacionais desprezavam, optou pelo mesmo modelo de negócio das majors. Não podia ser de outra forma, afinal o modelo sempre foi um só: graver discos e lucrar com a venda desses produtos. A diferença estava nos catálogos. Mas a evolução tecnológica modificou a produção e o consumo de música, demolindo aquele modelo.

Independentes ou não, grandes ou pequenas, as gravadoras restantes também deverão ruir. O que virá depois? Essa e outras incógnitas são discutidas e analisadas no livro “O futuro da música depois da morte do CD”, organizado por Irineu Franco Perpetuo e Sérgio Amadeu da Silveira. O volume, que traz 16 artigos assinados por produtores, músicos e especialistas em cultura e tecnologia, está disponível gratuitamente aqui.

Kuarup é o nome de um ritual dos povos indígenas do Parque do Xingu em homenagem aos mortos. Apesar do mote, é uma festa que se destaca pela alegria, sentimento que os entusiastas do moribundo mercado fonográfico não desfrutam há tempos.

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Um comentário sobre “O fim da Kuarup

  1. Vi estupefato a nota no próprio site da Kuarup. É uma pena, sem dúvidas. Claro que há uma onda de distribuição de músicas por outras vias, mas, para nós, isto não poderia significar o fim da Kuarup, das poucas que salvam a boa música.
    Gostaria de perguntar-lhe, que que a Kuarup não me responde aos e-mails: a venda-distribuição de músicas via site Kuarup continuará? Como devemos proceder?
    Abraços.

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