Joel Silveira e o mistério João Gilberto

Outubro 29, 2009

Extraio do blog do Geneton Moraes Neto entrevista do repórter Joel Silveira. Perguntado a respeito de quem ele não levaria para uma ilha deserta, a Víbora deu o bote:

Eu não levaria João Gilberto de forma nenhuma, com aquele violãozinho, uma coisa horrorosa. Aliás, o melhor talvez fosse deixá-lo numa ilha deserta, sem violão! Assim, eu poderia ir embora. Não entendo o fenômeno João Gilberto:  é um dos mistérios que minha inteligência não consegue alcançar. Eu até me esforço para entender tanta idolatria, porque, como sou repórter, gosto de saber das coisas. Mas confesso que não consigo.


O que é jazz?

Outubro 21, 2009

Bing Crosby e Louis Armstrong respondem:


Ferreira Gullar: borbulhas de amor na música brasileira

Setembro 3, 2009

ferreira gullar

Poeta, ensaísta e crítico de artes plásticas, Ferreira Gullar é também um personagem marcante em nossa música. Não à toa, seu nome é verbete na “Enciclopédia da Música Brasileira”. Entre seus parceiros musicais estão Caetano Veloso (“Onde andarás”), Paulinho da Viola (“Solução de vida”) e Milton Nascimento (“Bela bela”).

Pouca gente sabe, mas o bolero “Borbulhas de amor” (Quem me dera ser um peixe / para em teu límpido aquário mergulhar…), de autoria do mexicano José Luiz Guerra e um dos maiores êxitos da carreira do cearense Raimundo Fagner, tem a versão brasileira da letra assinada por Gullar.

Seu maior sucesso em nosso cancioneiro, no entanto, é a letra/poema que ele escreveu para a “Bachiana nº2″ (tocata), mais conhecida como “O trenzinho do caipira”, de Heitor Villa-Lobos. Os versos originalmente integram o “Poema sujo”, que Gullar lançou em 1976, quando estava no exílio, e transformou-se em seu livro mais famoso. Algum tempo depois, ao ser gravada por Edu Lobo, a letra projetou a música e foi responsável por popularizar aquela melodia de Villa-Lobos.

Em 2003, eu e o amigo Irineu Franco Perpetuo tivemos a honra de entrevistar Ferreira Gullar e, por mais de uma hora, conversar com o poeta sobre sua relação com a música. Na época, nós apresentávamos na Rádio América AM, de São Paulo, o programa “Trilha Brasileira”, que era veiculado nas tardes de sábado. A cada edição contávamos com um convidado diferente, dentro de um quadro intitulado “Sala de Recepção” (claro, nome roubado de um samba de Cartola…). Por problemas de agenda, não conseguimos levar Gullar para os estúdios da rádio, então nos deslocamos até o hotel onde o poeta estava hospedado e gravamos a entrevista lá mesmo. Depois editamos o papo, colocamos música e montamos o programa.

O resultado você pode conferir abaixo. Dividi o programa em 4 partes.

PARTE 1: Ferreira Gullar fala de sua infância, dele menino em São Luis (MA) ouvindo Vicente Celestino e Orlando Silva no rádio;

PARTE 2: O poeta comenta sua paixão pelo Salgueiro e critica os atuais desfiles das escolas de samba, fazendo uma comparação com a Academia Brasileira de Letras. Para ele, assim como a maior parte das pessoas que usam o fardão não merecem ser chamadas de escritores, a maioria dos passistas da Sapucaí não são sambistas.

PARTE 3: Gullar conta a hsitória da letra/poema para “O trenzinho do caipira” e diz que Mindinha Villa-Lobos, viúva do compositor, recusava-se a dividir com ele os direitos autorais pela execução da música.

PARTE 4: A divertida história da letra para o bolero “Borbulhas de amor”. E o programa termina com Gullar declamando “O trenzinho do caipira”. Emocionante.


Fotos do evento “Herminices”

Julho 1, 2009

Herminices 1

Hermínio e Alaíde Costa

Herminices 2
Áurea Martins

Mais fotos AQUI


O poeta, em show e bate-papo no Sesc Paulista

Junho 17, 2009

Clique na imagem para ampliá-la


A elegância de Dick Farney

Janeiro 23, 2009

Dick Farney nem imaginava tornar-se um cantor de sucesso. Aliás, ele nem queria. Ao se lançar como músico, seu único interesse era ser um grande pianista, como seus ídolos do jazz – Dave Brubeck, Nat King Cole. No entanto, após estrear profissionalmente no microfone, em 1937, se revelaria um dos mais importantes intérpretes da música popular brasileira. A trajetória artística dele foi contada no documentário musical “Mosaicos – A Arte de Dick Farney”, que produzimos na TV Cultura em 2007. O especial está disponível na íntegra no YouTube, em 8 partes. Abaixo, a primeira delas e os links para as demais.

Parte 2; Parte 3; Parte 4; Parte 5; Parte 6; Parte 7; Parte 8 (final)


O fim da Kuarup

Janeiro 22, 2009

Uma nota publicada na página inicial do site da gravadora e produtora Kuarup informa que, na virada de 2008/2009, após 31 anos de atividade, a empresa fechou as portas. “Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa, nem de longe compensada pelas vendas por download. Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade”, diz o texto.

A Kuarup possuía um importante catálogo de música brasileira, apostando na diversidade e investindo nos diferentes gêneros e ritmos regionais – choro, samba, caipira tradicional, música nordestina, instrumental. Alguns artistas tinham sua discografia intensamente ligada ao selo, como é o caso de Elomar.

O fim da Kuarup é emblemático porque, embora a gravadora tenha sido criada na onda dos independentes do final década de 1970, apostando em artistas que as companhias multinacionais desprezavam, optou pelo mesmo modelo de negócio das majors. Não podia ser de outra forma, afinal o modelo sempre foi um só: graver discos e lucrar com a venda desses produtos. A diferença estava nos catálogos. Mas a evolução tecnológica modificou a produção e o consumo de música, demolindo aquele modelo.

Independentes ou não, grandes ou pequenas, as gravadoras restantes também deverão ruir. O que virá depois? Essa e outras incógnitas são discutidas e analisadas no livro “O futuro da música depois da morte do CD”, organizado por Irineu Franco Perpetuo e Sérgio Amadeu da Silveira. O volume, que traz 16 artigos assinados por produtores, músicos e especialistas em cultura e tecnologia, está disponível gratuitamente aqui.

Kuarup é o nome de um ritual dos povos indígenas do Parque do Xingu em homenagem aos mortos. Apesar do mote, é uma festa que se destaca pela alegria, sentimento que os entusiastas do moribundo mercado fonográfico não desfrutam há tempos.


Cartola e a língua das flores

Janeiro 14, 2009

Angenor de Oliveira, o Cartola

Compositor cuja formação resumia-se ao primário completo, Cartola era um leitor atento, principalmente de poesia. A pesquisadora Marília Trindade Barboza, autora com Arthur de Oliveira Filho da biografia do sambista, conta que alguns de seus autores preferidos eram Castro Alves, Gonçalves Dias, Olavo Bilac e o português Guerra Junqueiro (1850-1923). Desse último, Cartola admirava o livro “A velhice do Padre Eterno”.

Não sei qual seria a influência de Fernando Pessoa (se é que ela existe) nas leituras do mangueirense, no entanto, é curioso perceber que o heterônimo Alberto Caeiro também cogitava existir uma língua das flores:

Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares.

Parecem ter medo da polícia…

Mas tão boas que florescem do mesmo modo

E têm o mesmo sorriso antigo

Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem

Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente

Para ver se elas falavam…