
Angenor de Oliveira, o Cartola
Compositor cuja formação resumia-se ao primário completo, Cartola era um leitor atento, principalmente de poesia. A pesquisadora Marília Trindade Barboza, autora com Arthur de Oliveira Filho da biografia do sambista, conta que alguns de seus autores preferidos eram Castro Alves, Gonçalves Dias, Olavo Bilac e o português Guerra Junqueiro (1850-1923). Desse último, Cartola admirava o livro “A velhice do Padre Eterno”.
Não sei qual seria a influência de Fernando Pessoa (se é que ela existe) nas leituras do mangueirense, no entanto, é curioso perceber que o heterônimo Alberto Caeiro também cogitava existir uma língua das flores:
Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares.
Parecem ter medo da polícia…
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E têm o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam…


