Eu já havia posto fim a essa série dedicada a desenhos e outras representações de Dom Quixote, mas acabei achando um material do cartunista Henfil, um cara que sempre admirei. Reabrir a série pros Fradinhos é mais que merecido.
Série “Dom Quixote” (11)
maio 16, 2012Ribinha e seus carros antigos
novembro 16, 2011Tempo atrás, eu e Carol Costa conhecemos em Barreirinhas, no Maranhão, o artista plástico José de Ribamar Oliveira (Ribinha). Ex-pintor de paredes e sem nunca ter recebido qualquer educação artística formal, ele cria telas hiper-realistas impressionantes retratando carros antigos. Talento, enorme: simples assim. Fiz esse vídeo quando Ribinha terminava uma de suas obras. No dia 24 de novembro, ele estará em São Paulo para inaugurar uma exposição com seus trabalhos no bar Barão da Itararé. Estando por aqui, Ribinha pretende ir ao MASP. Aos 34 anos, será a primeira visita de sua vida a um museu.
Os 7 Mandamentos
abril 29, 201101. Não pense pequeno, que isso é próprio dos medíocres e dos covardes.
02. Trabalhe em equipe: a capacidade de germinação se amplia.
03. Convoque os mais honestos e competentes, deixando de lado os invejosos e os carreiristas de poder (lembre-se que ele é sempre provisório). Desconfie dos bajuladores e dos muito falantes, que nem sempre são os mais operosos. São surfistas do poder, que sobrevivem de futricas e agem sempre à sombra. Abra espaço para gente nova. Oxigenar as idéias é sempre estimulante.
04. Não tenha medo da concorrência. Se você encontrar alguém mais competente do que você, aprenda com ele. Você vai crescer mais. Também não tenha medo de copiar uma boa idéia. Mas não se esqueça de dar o crédito a quem a gerou. Lembre-se: ninguém é absolutamente genial para criar todos os dias uma coisa nova. Não se esqueça também de que seus delírios são pagos pelo contribuinte. Mas sonhe sempre, cultive utopias.
05. Não respeite quem sonega informação, engavetando-a ou guardando-a só para si. Desconfie daquele que não ensina jamais o chamado “pulo do gato”. Quem assim procede está praticando um crime de lesa-cultura. Acredite: o meretrício e o genocídio cultural existem sim e em doses industriais e deliberadamente alienantes. Se você desconfiar de algum mal-feito, bote a boca no trombone para não ser conivente. Ninguém é tão poderoso assim que não consiga se desestabilizar diante de uma denúncia bem fundamentada.
06. Vá pelo caminho alternativo. Faça com que seu projeto tenha efeito multiplicador, e que seus eventos gerem resíduos (é assim que se faz memória: através do registro do fato). Procure parcerias. Não acredite naqueles que pregam que o povo não gosta de coisa boa e que toda juventude é alienada. Desconfie muito de quem despreza os mais velhos. Aprenda com os índios que veneram seus pajés e com eles se aconselham. Mário de Andrade era um pajé.
07. Acredite: cultura é matéria de segurança nacional, nossa música é um bem ecológico. Pense grande. Pense bonito. Pense brasileiro.
HERMÍNIO BELLO DE CARVALHO
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Descobri o texto acima nos guardados do poeta e compositor Hermínio Bello de Carvalho. O documento não possui data, tampouco o autor soube me precisar quando o escreveu. Mas podemos dizer, quase com completa certeza, que é do período (1977-1989) em que Hermínio foi diretor da Divisão de Música Popular Brasileira da Funarte, onde, entre tantas ações memoráveis, criou o Projeto Pixinguinha. O texto original se dirigia aos seus colaboradores naquela instituição. Acredito que todos os mandamentos permanecem atualíssimos e devem ser compartilhados por quem trabalha direta ou indiretamente com a cultura.
ALEXANDRE PAVAN
Um artista brasileiro
agosto 12, 2010Uma história do samba – Bibliografia
agosto 12, 2010Aqui, uma lista dos livros consultados e/ou citados nos textos dos posts anteriores.
ALENCAR, Edigar de. Nosso Sinhô do samba. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968.
____. O carnaval carioca através da música (Vol.2). Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos, 1965.
ALVARENGA, Oneyda. Música popular brasileira. São Paulo, Globo, 1950.

BARBOZA, Marília Trindade e Arthur Oliveira Filho. Cartola, os tempos idos. Rio de Janeiro, Gryphus, 2003 (ed. atualizada).
CABRAL, Sérgio. As escolas de samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Lumiar, 1996.
____. Pixinguinha: vida e obra. Rio de Janeiro, Lumiar, 1997 (3a ed.).
CARVALHO, Hermínio Bello de. Mudando de conversa. São Paulo, Martins Fontes, 1986.
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CASTRO, Ruy. Carmen: uma biografia. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.
____. Chega de saudade. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
____. Ela é carioca. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.
ENEIDA. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro, Record, 1987.
FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval carioca. Rio de Janeiro, Ediouro, 2004.
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HOMEM DE MELLO, Zuza. A era dos festivais: uma parábola. São Paulo, Editora 334, 2003.
JOTA EFEGÊ (João Ferreira Gomes). Figuras e coisas da música popular brasileira (2 vols.). Rio de Janeiro, Funarte, 1980.
MASSIN, Jean & Brigitte. História da música ocidental. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997.
MÁXIMO, João. Paulinho da Viola: sambista e chorão. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 2002.
MOURA, Roberto M. No princípio, era a roda. Rio de Janeiro, Rocco, 2004.
LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. São Paulo. Selo Negro, 2004.
PAVAN, Alexandre e Irineu Franco Perpetuo. Populares & eruditos. São Paulo, Invenção, 2001.
____. Timoneiro – Perfil biográfico de Hermínio Bello de Carvalho. Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2006.
RANGEL, Lúcio. Sambistas & chorões. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves, s/d.
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SEVERIANO, Jairo e Zuza Homem de Mello. A canção no tempo (2 volumes). São Paulo, Editora 34, 1998.
SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo, Editora 34, 2008.
SOUZA, Tárik de. Tem mais samba: das raízes à eletrônica. São Paulo, Editora 34, 2003.
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TINHORÃO, José Ramos. Domingos Caldas Barbosa. São Paulo, Editora 34, 2004.
____. Pequena história da música popular brasileira. São Paulo, Art, 1991.
VÁRIOS AUTORES. Enciclopédia da música brasileira. São Paulo, Art Editora/Publifolha, 1998 (2a ed.).
VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira (2 volumes). Rio de Janeiro, Martins, 1964.
VIANNA, Luiz Fernando. Geografia carioca do samba. Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2004.
SITES CONSULTADOS:
Uma história do samba – parte 15 (final)
agosto 11, 2010Alvorada no século XXI
Há os que se julgam remadores em direção ao futuro.
Não sabem que o samba lhes esculpiu o barco
– Aldir Blanc
Habitat da malandragem e dos sambistas nas décadas de 1920 e 1930, a Lapa carioca, emoldurada pelos seus belos Arcos, renasceu quando despontou o século XXI. Depois de passar anos abandonado, com seus casarios históricos praticamente em ruínas, o bairro das quatro letras surgiu renovado, dando razão a um velho samba de Benedito Lacerda e Herivelto Martins. A Lapa, lançado por Francisco Alves em 1950, quando o Rio ainda era capital do país, dizia:
A Lapa
Está voltando a ser
A Lapa
A Lapa
Confirmando a tradição
A Lapa é o ponto maior do mapa
Do Distrito Federal
Salve a Lapa!
A partir de 2001, o local retomou sua vocação de ponto de encontro boêmio e pólo cultural, atraindo freqüentadores de diferentes tribos e faixas etárias. Nos bares e casas de show recém-inaugurados, o que mais se ouvia era o samba feito por uma nova geração de artistas, entre eles, Teresa Cristina e Marcos Sacramento. Essa revitalização inspirou o produtor Hermínio Bello de Carvalho a criar, em 2002, o espetáculo O samba é minha nobreza, uma espécie de releitura de seu antológico Rosa de ouro. O novo show narrava a história do samba trazendo ao palco os veteranos cantores Roberto Silva e Cristina Buarque, ao lado de nomes estreantes revelados na noite da Lapa, como Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta e Mariana Bernardes.
Teresa Cristina, cantora e compositora
Naquele mesmo ano, a conquista do pentacampeonato mundial de futebol pela Seleção Brasileira também foi embalada ao ritmo de samba, com Deixa a vida me levar (Serginho Meriti/Eri do Cais) na voz de Zeca Pagodinho, cantor e compositor que alcançou o século XXI como uma das estrelas da MPB. Cantado por Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho após as vitórias, o samba caiu no gosto popular e tornou-se um mega-sucesso.
Em São Paulo, o gênero também passou a demonstrar novo fôlego, por meio de shows e discos da cantora Fabiana Cozza e do Quinteto em Branco e Preto, artistas que partindo da tradição apontam o samba em direção ao futuro. Além disso, ganharam espaço na metrópole paulista rodas musicais nas quais são revelados os compositores contemporâneos, a exemplo do Samba da Vela. O encontro acontece nas noites de segunda-feira no Centro Cultural de Santo Amaro, na zona sul da cidade, com os participantes dispostos em volta de uma mesa onde é colocada uma vela acesa. O repertório é todo de sambas novos, e a roda só termina quando a chama da vela apaga.
Comunidade Samba da Vela, de São Paulo
Fora esses artistas, que seguem uma linha mais tradicional, outros tantos promovem o diálogo do gênero com outros ritmos e linguagens. É o caso de Marcelo D2 e de Rappin Hood, ambos promotores da mistura do samba com o hip hop. Na alquimia sonora deles, entra o rap norte-americano centrado no força poética dos MCs e, ao mesmo tempo, a bossa de Tom Jobim, o soul de Tim Maia, o balanço de Jorge Benjor e o partido-alto de Candeia.
Marcelo D2 achou sua “batida perfeita” no samba
O mesmo tipo de fusão também se dá com a música eletrônica. Samplers e remixes são destaques nos discos de Max de Castro, Fernanda Porto, Jair Oliveira e Simoninha. O teleco-teco eletrônico dessa turma não é simples de ser definido e acaba gerando estilos que recebem de seus autores denominações como “bossa-funk-samba”, “drum-‘n’-bossa”, “samba-lounge” e “trip-bossa”.
Até mesmo o rock, aparentemente um gênero rival, acabou se embrenhando no samba. Desde o cruzamento pioneiro promovido por Jorge Benjor, outras experiências vêm sendo feitas constantemente, passando pelos discos dos grupos Os Mutantes e Novos Baianos, nos anos 1970, atingindo Lobão, Cazuza e Marina Lima na década seguinte, e chegando na banda Los Hermanos, no alvorecer dos 2000.
Nova geração: Maria Rita e Diogo Nogueira, filhos de Elis Regina e João Nogueira
A fonte sambística dos Los Hermanos, brotando principalmente das criações de seu cantor e guitarrista Marcelo Camelo, rendeu um manancial de composições que ajudaram a projetar nacionalmente a cantora Maria Rita, filha de Elis Regina. Aliás, esse início de século XXI apresenta-se pródigo em vozes femininas. Interessadas em fazer fusões ou simplesmente alinhadas no caminho da tradição, praticamente todas as cantoras da nova geração estão antenadas no samba, dedicando algumas faixas de seus discos ou até mesmo álbuns inteiros ao gênero. Nisso, elas seguem a trilha de Marisa Monte.
Outra característica desse início de milênio é a evolução da tecnologia, que vem revolucionando não apenas a maneira de se fazer música, mas, principalmente, a forma de consumi-la. O advento da internet, somado ao surgimento do Ipod e aparelhos similares tocadores de arquivo de música no formato MP3, alterou o modo de produção dos artistas e a relação destes com seus ouvintes. Com a possibilidade de gravar suas músicas com qualidade em estúdios caseiros e divulgá-las na internet, cantores e compositores não necessitam mais disputar espaço exclusivamente em gravadoras, rádios e televisões.
O samba, presente há 100 anos na vida brasileira, não está alheio às transformações. Seja tocado em terreiros, num formato próximo de como surgiu no tempo de Tia Ciata, ou então eletrificado e misturado a outros ritmos para aparecer em sites como YouTube e MySpace, o samba permanece como a cara do Brasil.
Marisa Monte
Marisa Monte não é apenas a tribalista que canta o pop romântico Amor, I love you com os parceiros Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Intérprete lançada no final dos anos 1980, que se tornaria uma das grandes estrelas da MPB nas décadas seguintes, a eclética Marisa se mostra à vontade em qualquer ritmo e gênero. Sua intimidade com o samba, no entanto, vem de berço – literalmente. Filha de um diretor da Escola de Samba Portela, Marisa foi criada ao som do repertório dos compositores da agremiação.
Marisa Monte e Zeca Pagodinho na quadra da Portela com integrantes da Velha Guarda
Em 1994, no álbum Verde anil amarelo cor de rosa e carvão, a cantora gravou os sambas Dança da solidão (Paulinho da Viola) e Esta melodia (Bubu da Portela/Jamelão), neste último acompanhada pela Velha Guarda da Portela. Cinco anos mais tarde, ela se aproximaria novamente da Velha Guarda ao produzir o CD Tudo azul, com grupo de baluartes da Portela.
Mais recentemente, após o sucesso com o grupo Tribalistas, Marisa Monte retomaria o samba com o álbum Universo ao meu redor (2006), no qual gravou músicas dos portelenses Casemiro Vieira e Argemiro Patrocínio, e ainda com o filme-documentário O mistério do samba (2008), produzido por ela a partir de sua pesquisa musical na Portela.
[Este texto faz parte do livro-apostila "Samba, a cara do Brasil" (Pueri Domus/Escolas Associadas, 2009)]
Uma história do samba – parte 14
agosto 10, 2010O Pagode e a axé-music em cena
O fim da ditadura militar só aconteceria em 1985, após um demorado processo de abertura política iniciado no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), que prometia uma distensão “lenta, gradual e segura”. O período de incerteza, que misturava sentimentos de medo e esperança, ganhou uma espécie de hino, a partir do sucesso do samba O bêbado e a equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc) na voz de Elis Regina (de novo, ela!):
Meu Brasil
que sonha
com a volta do irmão do Henfil
com tanta gente que partiu
num rabo de foguete
chora a nossa Pátria Mãe gentil
choram Marias e Clarices
no solo do Brasil…
Parodiando a forma de um samba-enredo, essa canção descreve cenas da vida brasileira daquele momento, referindo-se aos exilados políticos (“tanta gente que partiu”) e citando personagens reais. O “irmão do Henfil” é o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, irmão do cartunista Henfil; enquanto a Clarice que chora é uma referência à viúva do jornalista Vladimir Herzog, enforcado numa prisão da ditadura, em 1975, na cidade de São Paulo.
Neoci, Alcir Portela, Mauro Braga, Jorge Aragão e China em roda de samba no Cacique de Ramos
Embora o clima político continuasse incerto, no subúrbio carioca de Ramos, animadas rodas de pagode começavam a dar uma nova cara ao samba. A palavra “pagode” é originária do sânscrito e significa “templo destinado por alguns países asiáticos ao culto de seus deuses”. No Brasil, o termo já era empregado pelos portugueses desde o século XVI, para designar qualquer diversão popular. Já na década de 1950, passou a denominar toda reunião de sambistas em que houvesse música, dança e comida. A partir dos anos 1970, com a expansão das rodas de partideiros nos subúrbios cariocas, conforme ensina o historiador Jairo Severiano, “o pagode passou a dar nome a um tipo de samba praticado nessas reuniões, que admite banjo, tantã e repique de mão, e guarda ligeira semelhança com o partido-alto.”
De todas essas rodas, a que alcançou maior projeção foi a promovida na quadra no bloco carnavalesco Cacique de Ramos. Sob a liderança do presidente da agremiação, Ubirajara Félix do Nascimento, o Bira Presidente, ali foi formado o núcleo do grupo Fundo de Quintal, onde ganharam destaque cantores e compositores de talento, como Jorge Aragão, Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Almir Guineto e Luis Carlos da Vila. A música que projetou essa turma foi Vou festejar (“Chora/ não vou ligar/ chegou a hora/ vais me pagar/ pode chorar…”), de Jorge Aragão, Dida e Neoci, lançada por Beth Carvalho no disco De pé no chão, com repertório dedicado ao novo estilo.
Durante a década de 1980, o mesmo tempo que as rodas de pagode davam nova forma ao samba, em Salvador o gênero também ganhava nova energia, com o surgimento da música afro-pop baiana, mais conhecida como axé-music. Resultado da mistura da música dos trios elétricos com o som dos blocos afro, isto é, da mescla do frevo baiano com o samba-reggae, a axé-music dominou a MPB em boa parte da década de 1990. O novo gênero conseguiu se destacar no mercado fonográfico, apesar de não figurar no predominante eixo Rio-São Paulo.
Da fase inicial da axé-music podemos citar os cantores Luiz Caldas, Sarajane e Margareth Menezes, e as bandas Mel, Asa de Águia, Cheiro de Amor e Chiclete com Banana. Fundamental, no entanto, foram as presenças do cantor-compositor Gerônimo (pioneiro na mistura da música de candomblé com ritmos caribenhos), do percussionista Neguinho do Samba (um dos fixadores da batida do samba-reggae) e dos blocos afro Ara Ketu, Olodum e Ilê Ayiê. Em 1990, o Olodum ganharia projeção internacional ao participar da gravação de um videoclipe do roqueiro Paul Simon. Mais tarde, convites semelhantes viriam de Michael Jackson, Wayne Shorter e Jimmy Cliff.
Percussionistas do Olodum
Tanto o pagode quanto a axé-music acabaram dando origem a subprodutos pop que, apesar da estampa bem produzida, apresentavam um resultado musical de qualidade inferior. Proliferaram grupos como Só Pra Contrariar, Raça Negra e Exaltasamba, que se apropriaram do termo pagode para fazer um samba pop romântico quase sem nenhuma semelhança com o estilo lançado no Cacique de Ramos ou com o tradicional samba-canção. Sob a etiqueta da axé-music, nasceram dezenas de bandas que exploravam coreografias rebolativas, tendo como base uma música frenética com letras de apelo sexual. O principal representante desse estilo, definido pejorativamente como “bunda music”, foi o grupo É o Tchan.
O sucesso comercial desses conjuntos, caracterizado por carreiras de curta duração mas de projeção nacional, pode ser explicado por alguns fatos que marcaram fortemente o mercado fonográfico nos anos 1990: a prática do jabá e o aumento do poder dos departamentos de marketing das gravadoras e emissoras de rádio e TV em detrimento dos setores artísticos.
Ao contrário das épocas anteriores, quando a indústria do disco, juntamente com as rádios e televisões, apostaram na diversidade musical, lançando artistas de todos os gêneros (vide o que aconteceu na Época de Ouro ou na era dos festivais), na década de 1990 a MPB praticamente ficou refém de algumas “modas”, que eram exploradas até o limite para, em seguida, serem substituídas por outras. Na virada do século, essa história começou a mudar, e os responsáveis foram os artistas, o público e, principalmente, algumas inovações tecnológicas que revolucionaram a maneira de ouvir/divulgar música.
Elis Regina
Dona de um temperamento explosivo que lhe rendeu o apelido de Pimentinha, Elis Regina (1945-1982) é considerada a maior cantora brasileira da segunda metade do século XX. Tendo se dedicado ao samba em boa parte do repertório de seus discos, Elis resgatou canções de compositores consagrados – Na batucada da vida (Ary Barroso/Luiz Peixoto), É com esse que eu vou (Pedro Caetano), Folha seca (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito) – e contribuiu para consolidar o samba feito por seus contemporâneos, como Ladeira da preguiça (Gilberto Gil), Mestre-sala dos mares (João Bosco/Aldir Blanc) e Eu, hein, Rosa (João Nogueira/Paulo César Pinheiro).
Marcianos no pagode
Nem mesmo os produtores do filme Marte ataca! (1996) foram capazes de pensar nisso: um pagode tocando no Planeta Vermelho. A idéia foi da brasileira Jacqueline Lyra, engenheira da Nasa. Em 1997, a agência especial norte-americana lançou a missão Mars pathfinder, enviando um robô para explorar Marte. O mecanismo foi programado para ser acionado a partir do som de uma música – e a escolhida por Jacqueline foi o samba Coisinha do pai (Jorge Aragão/Almir Guineto/Luis Carlos da Vila), obra de três compositores do Cacique de Ramos. Dessa forma, o robô da Nasa foi “acordado” com os versos “Ô, coisinha tão bonitinha do pai/ ô, coisinha tão bonitinha do pai”.
O preço do sucesso
Jabá – uma corruptela da palavra jabaculê – é o nome que se dá à prática de oferecimento de dinheiro ou favores a radialistas e programadores de televisão em troca da veiculação de determinadas músicas ou artistas. Mesmo sendo considerado ilegal, por ferir os estatutos que regem as empresas de comunicação brasileiras, o jabá está presente no mercado musical desde os anos 1940 e ainda hoje é praticado.
[Este texto faz parte do livro-apostila "Samba, a cara do Brasil" (Pueri Domus/Escolas Associadas, 2009)]
Uma história do samba – parte 12
agosto 6, 2010No morro e no asfalto
Se o dia nasce, renasce o samba
Se o dia morre, revive o samba
– “Filosofia do samba” (Candeia)
Em uma noite de meados da década de 1950, ao mesmo tempo em que a bossa nova estava sendo gerada por Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto e coadjuvantes, o jornalista Sérgio Porto levou um susto ao encontrar o compositor Cartola trabalhando como lavador carros numa garagem em Ipanema, no Rio de Janeiro. O motivo da surpresa é que o sambista andava sumido do cenário artístico há anos, e muita gente até duvidava que estivesse vivo.
Angenor de Oliveira, o Cartola
Um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Cartola (1908-1980), cujo nome de batismo era Angenor de Oliveira, fora um personagem ativo da cultura carioca entre as décadas de 1930 e 1940. Desfilava com a escola nos dias de carnaval, atuava com certa freqüência em programas de rádio e suas músicas eram gravadas pelas principais vozes da época, como Francisco Alves e Carmen Miranda. Porém, em 1949, após um período de trevas em que contraiu meningite e perdeu a mulher, fulminada por um ataque cardíaco, Cartola decidiu abandonar o Morro da Mangueira e a música. Desiludido da vida, entregou-se à bebida e a amores infelizes que o afastaram dos amigos e da arte. Após certo tempo mergulhado naquele poço, foi trazido à tona por Euzébia do Nascimento, Dona Zica, o anjo-da-guarda com quem Cartola se casaria. Ela conseguiu que ele voltasse a trabalhar, mas o sambista não se fixava em nenhum dos novos ofícios que tentava – servente, guarda em repartição pública e lavador de carros, emprego que ocupava quando Sérgio Porto o reencontrou.
O jornalista, um dos mais famosos da época, bem que se esforçou para fazer Cartola voltar à música, mas seu prestígio entre radialistas e donos de gravadoras de nada serviu. Frente à revolução bossanovista, o compositor era considerado antigo e ultrapassado. Assim, em princípios dos anos 1960, restou a Cartola e Dona Zica irem morar de favor na sede da Associação das Escolas de Samba do Rio (EAS), no centro da cidade. Ali, o casal passou a receber a visita de amigos de variadas idades e classes sociais, muitos deles compositores, que apareciam para beber, conversar, fazer música e degustar as iguarias preparadas por Dona Zica. Em uma dessas reuniões, o empresário Eugênio Agostini, amigo de Nuno Veloso, parceiro de Cartola, propôs a criação de uma casa de samba, um misto de restaurante e boteco que tivesse o mesmo clima animado dos encontros da EAS.
Assim, foi inaugurado o Zicartola, estabelecimento que em pouco mais de dois anos de atividade (1963-1965) foi o responsável por impulsionar a renovação e o fortalecimento do samba. A programação musical da casa era invejável. A seleção de artistas fixos, que se apresentava regularmente, contava com Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Leléu, Zagaia, Padeirinho, João do Vale, Geraldo das Neves e, é claro, o próprio Cartola. Também havia lugar para novos nomes, como por exemplo, Paulinho da Viola, que recebeu ali seu primeiro cachê como profissional.
Roda de samba no Zicartola, com Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, Paulinho da Viola e Zé Kéti. À esqueda, embaixo, o compositor Hermínio Bello de Carvalho
Rapidamente, o Zicartola foi transformado pela classe média da Zona Sul em ponto de encontro da moda e, a cada noite, atraia centenas de fregueses interessados em se aproximar da cultura popular. O local também começou a reunir pessoal do Cinema Novo e os artistas de esquerda ligados ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC-UNE). Aquelas noitadas inspirariam dois importantes espetáculos que marcaram a cena musical brasileira da época: a peça Opinião e o show Rosa de ouro.
Paralelamente à renovação promovida pelo Zicartola, o samba mostrava fôlego revigorado também nas escolas, que tomaram impulso e conquistaram a hegemonia do carnaval carioca. Os desfiles cresceram, tornaram-se mais organizados e de maior apelo popular. Além disso, o atrativo musical melhorou. A partir do final da década de 1950, com a decadência da marchinha e do samba tradicional como trilha sonora da folia, o samba-enredo se desenvolveu e ocupou o espaço deixado pelas outras modalidades.
O maior compositor de sambas-enredo de todos os tempos é Silas de Oliveira (1916-1972), autor de músicas inspiradas que contribuíram para definir um padrão para o estilo. Sua assinatura está em clássicos como Aquarela brasileira e Heróis da liberdade (este em parceria com Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira), escritos para sua escola, o Império Serrano. Silas também é reconhecido por ter ajudado a revelar Dona Ivone Lara, a primeira mulher a conseguir vencer o machismo vigente nas escolas e se tornar autora de samba-enredo. Juntos, Silas, Dona Ivone e o parceiro Bacalhau compuseram Os cinco bailes da história do Rio, em 1965. Outros importantes autores são Anescarzinho do Salgueiro, Martinho da Vila e Zuzuca (também do Salgueiro) – para ficarmos apenas em três nomes.
Sérgio Porto
Não estaremos exagerando ao afirmar que o jornalista, escritor e radialista Sérgio Porto (1923-1968) foi o precursor do estilo de humor crítico que hoje faz sucesso em programas televisivos como Casseta & Planeta e CQC. Observador atento e afiado do cotidiano brasileiro, seus textos eram espirituosos e inteligentes. Criador do personagem Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo sob o qual assinou diversas crônicas, Sérgio foi o inventor do Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), produzindo histórias e piadas que criticavam os costumes vigentes.
Amante e profundo conhecedor da música, principalmente jazz e samba, conquistou sucesso até como compositor, ao lançar o politicamente incorreto Samba do crioulo doido, em 1968. A letra da música, uma sátira dos samba-enredo das escolas, mistura fatos históricos e personagens de épocas diferentes, com versos como esse: “Foi em Diamantina/ onde nasceu JK/ que a princesa Leopoldina/ arresolveu se casá/ mas a Chica da Silva/ tinha outros pretendentes/ e obrigou a princesa/ a se casá com Tiradentes…”.
Musicais Rosa de ouro e Opinião
Obra de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), Paulo Pontes e Armando Costa, Opinião inovou o formato de espetáculo musical ao estrear em dezembro de 1964, no Teatro de Arena, em Copacabana. Sob direção de Augusto Boal, a peça misturava a linguagem de show com encenação teatral, trazendo no elenco os cantores-compositores Zé Kéti e João do Vale e a cantora Nara Leão (mais tarde substituída por Maria Bethânia).
Intercalando canções com textos interpretados, Opinião narrava o cotidiano brasileiro, com os atores-cantores falando sobre o país – “Em 1950 havia dois milhões de nordestinos vivendo fora de seus estados natais…” – ou a respeito de suas histórias pessoais: “Meu nome é João Batista do Vale. Pobre, no Maranhão, ou é Batista ou é Ribamar. Eu saí Batista”, apresentava-se João do Vale. Devido à sua postura crítica, tornou-se o primeiro espetáculo de resistência à ditadura militar.
João do Vale, Zé Kéti e Nara Leão em cena no espetáculo Opinião, em 1964
Já o Rosa de ouro, lançado em março de 1965, no Teatro Jovem, alcançou sucesso semelhante. Concebido pelo produtor, compositor e poeta Hermínio Bello de Carvalho, o show sambístico promoveu o retorno aos palcos da grande dama do Teatro de Revista, Aracy Cortes, acompanhada por um grupo de cantores-compositores formado por Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Anescarzinho do Salgueiro.
O grande destaque do Rosa de ouro, no entanto, foi Clementina de Jesus, uma senhora de 64 anos que estreava profissionalmente como cantora – até então ela trabalhara como empregada doméstica. Recém-descoberta por Hermínio, Clementina arrancava entusiasmados aplausos da platéia ao entoar com sua voz poderosa os belos sambas e cantos africanos de seu repertório.
[Este texto faz parte do livro-apostila "Samba, a cara do Brasil" (Pueri Domus/Escolas Associadas, 2009)]
Uma história do samba – parte 11
agosto 5, 2010Isso é bossa nova
Eis aqui este sambinha
Feito de uma nota só
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só
– “Samba de uma nota só” (Newton Mendonça/Tom Jobim)
Faça um exercício de imaginação e coloque-se no lugar de um jovem de classe média que vivia no Brasil em 1958. Suponhamos que você seja um(a) garoto(a) de Copacabana, no Rio de Janeiro, que tem a sorte de freqüentar uma das praias mais bonitas do mundo, onde costuma se bronzear, encontrar os amigos e namorar.
Praia de Copacabana, década de 1950
A sensação de que a vida é boa aumenta quando você percebe que o país passa por um período de intensa euforia e otimismo. Graças aos dribles mágicos de Pelé e Garrincha, a seleção de futebol acaba de conquistar a Copa do Mundo pela primeira vez, e o governo do presidente Juscelino Kubitschek, sob o slogan desenvolvimentista “50 anos em 5”, promete um crescimento econômico a jato, que colocará a nação nos trilhos da modernidade. JK também anuncia a construção de uma nova capital, Brasília, para abrigar o outro Brasil que está nascendo.
Em resumo, tudo é uma novidade empolgante. Até mesmo a música que você escuta no rádio tem um jeito, uma bossa diferente – e não é uma bossa qualquer, é bossa nova. Além disso, os principais responsáveis por esse som são jovens como você.
Após os efervescentes acontecimentos da Época de Ouro, a música popular brasileira enfrentou um período de transição, entre 1946 e 1957, no qual houve uma grande popularização dos ritmos nordestinos (principalmente o estouro do baião, implantado pelo sanfoneiro e compositor Luiz Gonzaga) e o sucesso dos sambas-canções românticos (com destaque para aqueles compostos por Antônio Maria e interpretados pela cantora Nora Ney).
O estilo de samba predominante naquele no período possuía um romantismo que carregava demais as tintas na tristeza. Não à toa, eram chamados de sambas de fossa, com letras que diziam algo como: “Ouça/ vá viver sua vida com outro bem/ Hoje eu já cansei de pra você não ser ninguém” (Ouça, de Maysa), ou então: “Ninguém me ama/ ninguém me quer/ ninguém me chama de meu amor” (Ninguém me quer, de Antônio Maria). Você há de convir que esse tipo de música não era a trilha sonora ideal para o Brasil que se anunciava no final da década de 1950. Então, a bossa nova surgiu e a história mudou.
No entanto, o novo gênero, ou movimento musical, como alguns preferem chamá-lo, não apareceu de uma hora para outra. Sua elaboração foi um processo que teve início anos antes. Elementos característicos da bossa nova, como a sofisticação harmônica das músicas e o jeito contido de interpretá-las, já estavam presentes no trabalho de vários artistas de gerações anteriores, a exemplo das composições de Custódio Mesquita, Dorival Caymmi, Garoto e Valzinho, ou na maneira de interpretar de Mário Reis.
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Outra característica da bossa nova era sua aproximação com o jazz, gênero norte-americano que já influenciava a música popular brasileira há algum tempo, marcando tanto a carreira de artistas mais velhos, como o cantor e pianista Dick Farney, quanto dos mais jovens, como o compositor Johnny Alf. Ambos, apesar dos codinomes artísticos, eram brasileiríssimos, nascidos e criados no Rio de Janeiro. O nome de batismo de Dick é Farnésio Dutra, e Johnny chama-se João Alfredo.
O trio de artistas responsável por unir a herança musical da Época de Ouro a novas influências, condensando tudo na forma de bossa nova foi formado por Antonio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto. Quando os três se juntaram, mudaram os rumos da música popular brasileira – e isso aconteceu em 1958, na gravação do LP Canção do amor demais, da cantora Elizeth Cardoso. O disco é considerado marco-zero da bossa nova porque reuniu pela primeira vez a “batida diferente” do violão de João e as parcerias de Tom e Vinicius, como Chega de saudade:
Mas se ela voltar, se ela voltar
que coisa linda, que coisa louca
pois há menos peixinhos a nadar no mar
do que os beijinhos que eu darei na sua boca…
Essa música daria título também ao primeiro disco solo de João Gilberto, lançado logo em seguida. No álbum, a revolução artística que ele promovia ficava ainda mais evidente: voz e violão pareciam uma coisa só, elementos indissociáveis. Além disso, ao contrário de seu ídolo Orlando Silva, João mostrava uma interpretação contida, cantando a nota exata (sem o uso do vibrato), o que o aproximava dos artistas do cool jazz.
Rapidamente, a bossa nova ganhou uma legião de fãs, a maioria jovens, que se identificaram com a novidade. Uma geração de músicos que vinha surgindo – entre eles, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Nara Leão – também se agregou ao movimento. De repente, do carro à geladeira, tudo que exalava modernidade era chamado de bossa nova – até Juscelino Kubitschek ficou conhecido como “o presidente bossa nova”.
Ao mesmo tempo, a novidade causou estranhamento, principalmente entre os defensores do samba “autêntico”, que consideravam a proposta dos bossanovistas uma descaracterização do gênero, diluidora das formas tradicionais. A resposta aos críticos veio em forma de música:
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo, devo argumentar
Que isto é bossa nova
Que isto é muito natural
– “Desafinado” (Tom Jobim/Newton Mendonça)
Assimilada pelos artistas do jazz a partir da década de 1960, a bossa nova colocou a música popular brasileira definitivamente no cenário internacional. Ainda hoje, o samba Garota de Ipanema (“Olha/ que coisa mais linda/ mais cheia de graça…”), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, é uma das músicas mais tocadas no planeta. Certo dia, ao saber por uma pesquisa que sua composição só perdia em número de execuções para as canções dos Beatles, Jobim brincou: “Mas eles são quatro e cantam em inglês…”.
Maysa 
A biografia de Maysa (1936-1977) caberia muito bem na história do rock and roll, afinal ela teve uma vida conturbada com brigas amorosas, crises de depressão, de alcoolismo, que terminou precocemente em um acidente automobilístico. Ela até chegou a gravar – e com sucesso – a canção Light my fire, da banda The Doors. No entanto, a praia da cantora e compositora brasileira eram as chamadas músicas de fossa, com as quais ela se consagrou. Sua história foi dramatizada na minissérie Maysa – Quando fala o coração, exibida pela TV Globo em 2009.
Cool jazz
O cool jazz é um estilo que surgiu no final da década de 1940, revolucionando o jazz e deixando o gênero mais contido e intimista. Ao contrário de seu antecessor, o bebop (estilo marcado por músicas de muitas notas e grande virtuosismo dos instrumentistas), o cool jazz se destaca por ser mais leve e romântico – e não exatamente “frio”, como a palavra “cool” pode dar a entender. Outra característica importante é a ausência do vibrato (nome técnico que se dá à vibração da nota final de uma frase musical).
Miles Davis
O disco que é considerado inaugural do estilo intitula-se Birth of the cool, lançado pelo trompetista e compositor Miles Davis, em 1949. Além de Davis, outros nomes importantes ajudaram a consolidar o cool, entre eles, os saxofonistas Lester Young e Gerry Mulligan e o trompetista e cantor Chet Baker.
Durante a década de 1950, o cool daria origem a um estilo derivado e semelhante denominado west coast jazz, que também influenciou bastante os brasileiros da bossa nova.
[Este texto faz parte do livro-apostila "Samba, a cara do Brasil" (Pueri Domus/Escolas Associadas, 2009)]


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